A cor como matéria

Processo

O caminho para a transparência

Em 2006 comecei a estudar no Ar.Co, inicialmente Pintura e posteriormente Cerâmica. Para mim, a peça cerâmica é como se fosse uma tela. Considero a peça como um todo em que qualquer parte possui o mesmo grau de importância. E, do mesmo modo que quando pintava, uma das minhas maiores preocupações era (e ainda é) como trabalhar a profundidade. Como tratar a diferença entre próximo e distante? A minha resposta é através da cor. Para abordar este conceito uso diferentes intensidades da mesma cor em cada peça. A diferença entre os tons traz subtileza. E assim, a transparência tornou-se o principal objetivo no desenvolvimento dos meus vidrados.

A partir daqui, trabalhar o relevo no barro surgiu naturalmente. Desenhar faz parte da minha prática diária, e as imagens mentais que habitam na minha memória são inicialmente passadas para o papel e depois transferidas para o barro através do trabalho de relevo. Os vidrados são então meticulosamente desenvolvidos e aplicados para poder fluir e repousar nos relevos de modo a realçar o desenho.

Desta forma, a transparência e o relevo fazem parte fundamental do meu trabalho já que são a única forma de obter diferentes tons da mesma cor com vista a proporcionar uma sensação de profundidade.

Desenvolvimento de vidrados

O vidrado transparente é aquele que deixa passar a luz, por oposição a um vidrado opaco em que a luz não passa. Um vidrado transparente é semelhante a uma superfície espelhada com propriedades brilhantes e refletoras da luz. No meio, entre a transparência e a opacidade, fica a translucência. No entanto, a transparência é difícil de obter com algumas cores.

A temperaturas intermédias de cozedura, como é o meu caso, desenvolver uma cor que seja simultaneamente vibrante e transparente está longe de ser simples. Em alguns casos, a cor prevalece sobre a transparência, como o Azul Claro de Cobre, e noutros, a transparência prevalece sobre a cor, como o Cinzento de Cobalto & Manganês. A solução é chegar a um compromisso. É difícil obter as duas coisas!

Sobre as cores

Cores do Cobre

Tenho um fascínio pelo azul turquesa, talvez porque a primeira imagem que me aparece é a das deslumbrantes cúpulas do Irão. A minha pesquisa por esta cor começou com o Cobre, o único óxido colorante que pode dar a cor turquesa. As minhas primeiras experiências não deram os resultados esperados mas desde logo percebi que o Cobre, a temperaturas intermédias de cozedura, não era condição suficiente para obter a cor azul..mas sim para obter a cor verde!

Todavia, destes testes resultaram três cores fantásticas: Verde Escuro de Cobre, Verde de Cobre e Azul Claro de Cobre. Para obter o Verde e o Azul Claro usei estanho em diferentes proporções. Mas, como o estanho opacifica, o Azul Claro de Cobre é mais translúcido do que do transparente. Até agora, este Azul Claro de Cobre é o mais próximo que tenho do azul turquesa.

Cores do Ferro

O ferro é o óxido colorante mais comum em cerâmica, possivelmente porque possui o maior reportório de cores e efeitos. Eu utilizo o ferro para obter castanho. Há outros óxidos que dão castanho, mas eu prefiro o ferro por duas razões: o nível de uniformidade da cor é enorme devido à dimensão reduzida das partículas de ferro; nas arestas, contudo, o ferro tende a mostrar uma cor laranja ferrugem devido à menor concentração de óxido nessa zona. A cor Castanho de Cobre & Ferro ainda está a ser aperfeiçoada tendo em vista obter maior transparência.

Cores do Cobalto

O Cobalto é o óxido mais estável e fiável. E é provavelmente o mais poderoso. Basta uma décima de grama para obter uma cor relevante. Isto é óptimo pois o cobalto é caríssimo! A pesquisa com cobalto foi muito rápida pois os testes com cobre, feitos antes, forneceram muita informação. Desta vez, eu sabia exatamente o que ia acontecer: um vidrado fiável, o Cinzento Azulado de Cobalto e um casamento estável, o Azul de Cobre & Cobalto. Ambos com um bom grau de transparência!

Historicamente associada a trajes da realeza e a vestes litúrgicas, a cor púrpura, suscita em mim um enorme interesse. Quando comecei a testar o vidrado de cobalto e manganês estava mesmo à espera de obter uma cor púrpura. Doce ilusão…em vez de púrpura surgiu cinzento, o Cinzento de Cobalto & Manganês

Todavia, além da agradável cor cinzenta, este é o vidrado com o maior número de “pixels”, pois o seu elevado grau de transparência é capaz de revelar com precisão todos os mínimos detalhes do desenho.

Cores do Crómio

Quando estava a fazer testes para obter a cor púrpura surgiu o Rosa de Crómio. O crómio é um óxido difícil de trabalhar, pois é um verdadeiro vira-casacas. Por vezes, na mesma peça aparecem duas cores distintas: o rosa e um branco esverdeado. Continuo a procurar uma cor mais estável! A menor transparência deste vidrado é compensada por uma boa textura.

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